domingo, 5 de maio de 2013

Snapshot (Volumes 01 - 04)


Andy Diggle e Jock, a dupla responsável pala aclamada série "Os Perdedores" do selo Vertigo, se juntam novamente para um novo trabalho chamado "Snapshot", dessa vez publicado pelo selo Image. Disponível para compra via Comixology, foi publicado em quatro volumes, lançado em fevereiro deste ano nos EUA.

Jake Dobson é um típico nerd que trabalha numa loja de quadrinhos. Porém sua vida pacata vira de cabeça para baixo quando descobre um celular a caminho do trabalho. Sua alegria de ter encontrado aquele brinquedinho novo logo se torna um pesadelo quando descobre nele fotos de um violento assassinato. Agora o próximo alvo é ele e é só uma questão de tempo até o assassino o encontrar. 

A trama vai se mostrando mais e mais complexa e eletrizante ao longo de cada quadro. Uma misteriosa conspiração vai se desenhando e Jake se vê envolvido até o pescoço. Porém esse mistério é o ponto alto da história, tanto que quando tudo começa a ficar mais claro, a obra vai perdendo a graça... A arte de Jock, no preto e branco, oscilou entre o genial ao tosco. Seu estilo tende ao desleixo em vários momentos, com um acabamento corrido. Muitos quadros parecem esboços sem arte-finalização. Apesar disso ele faz um efeito interessante com as sombras, abusando do preto nas passagens mais angustiantes, muitas vezes encobrindo todo o rosto do personagem, como se seu espírito estivesse imerso em escuridão. Na última edição ele também faz um efeito interessante com a chuva, associando traços com respingos de nanquim.

Embora a arte seja uma questão polêmica, a quadrinização foi bem cinematográfica, com cenas dramáticas e perseguições alucinantes. Vale ressaltar o primeiro encontro entre Jake e o assassino, na loja de quadrinhos, momento esse de extrema tensão.

Com um roteiro bem amarrado, um pouco corrido e com um final que deve dividir opiniões, considero Snapshot um excelente thriller, mas que poderia ter sido melhor desenvolvido se a obra tivesse mais edições. Mesmo assim vale pelo tema e pela criatividade do enredo, já que hoje em dia é tão difícil ver algo original no mercado de quadrinhos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

The Umbrella Academy - Apocalypse Suite



The Umbrella Academy - Apocalypse Suite é uma história criada por Gerard Way, escritor e também cantor da banda My Chemical Romance, e desenhada pelo brasileiro Gabriel Ba (Daytripper, Casanova). Lançada pelo selo da Dark Horse em 2007, a obra acabou ganhando o prêmio Eisner em 2008 de Melhor Série Fechada.

O cientista e empresário Sir Reginald Hargreeves, conhecido como "O Monóculos", adotou sete crianças com poderes especiais com uma finalidade muito clara: salvar o mundo. Quando isso foi declarado para a mídia mundial, todos olharam com muita inquietação já que ninguém sabia que o planeta precisava ser salvo. Contudo, tempos depois, estranhos eventos puseram em questão a segurança das nações, levando esse grupo de jovens a agir contra os mais variados e escalafobéticos perigos.


Só que o tempo passa e aquelas crianças especiais se tornam adultos. E como qualquer família disfuncional especial, questões pra lá de complicadas acabam surgindo: desavenças, amores não correspondidos e inseguranças. Quem vê Gerard Way todo maquiado e com seu cabelinho lambido nas apresentações de My Chemical Romance pode até ponderar se vale a pena ler essa obra. Até mesmo ao escutar o rock emo / gothic / pop punk do escritor pode achar que seu trabalho não vale ser conferido já que sua música não corresponde ao seu gosto musical. Por favor, não se enganem!


Não é a toa que The Umbrella Academy ganhou um Eisner Award (o Oscar dos quadrinhos). Com um roteiro impressionante sobre uma temática já batida (super-heróis), Gerard trabalha a psique de cada personagem com esmero, levando o leitor a perceber as nuances dessas relações com diálogos carregados de drama e imagens que valem por mil palavras. Falando nisso, mais uma vez Gabriel Bá dá um show de arte, com seu traço bem marcado e dinâmico, levemente cartunesco, mesmo assim com o peso necessário para a trama. O responsável pelas cores, Dave Stewart, também realizou um trabalho magnífico, mudando a paleta de cores dependendo do ambiente, da época e do contexto.

Se você quer ação com drama de qualidade, deixe-se ser surpreendido por essa obra. Deixe The Umbrella Academy ser seu novo grupo de super-heróis.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO - A DANÇA DOS DRAGÕES

George R.R. Martin lançou seu quinto livro com um aviso. Tanto o quarto livro "O Festim dos Corvos" como esse começam após os eventos do terceiro volume, "A Tomenta de Espadas". Só que em "A Dança dos Dragões", o autor enfoca mais nos acontecimentos situados nas imediações da Muralha e em grande parte no oriente, do outro lado do mar estreito. Depois da metade do livro, os outros personagens aparecem, continuando a narrativa em todos os cantos do mapa.

Capitão Griff
Após a morte de seu pai Tywin e de seu sobrinho Joffrey, além de sua condenação em Porto Real, Tyrion foge com a ajuda de Varys. Encaminhado para um navio em direção à Pentos, chega na mansão de Illyrio Mopatis, aquele comerciante do primeiro livro, que ajudou Viserys a negociar sua irmã para Khal Drogo. Lá ele conta para Tyrion sobre Daenerys e seus dragões e que ela tem anseios de retornar à Westeros e ao trono que um dia foi de sua família. Ele parte então numa jornada para a Baía dos Escravos e logo nosso sagaz anão percebe que o capitão do navio Griff e seu filho, o jovem Griff, escondem um segredo bombástico.

Daenarys tem muitas dificuldades em governar Meereen já que todas as cidades vizinhas como Astapor e Yunkai desaprovam sua conduta contra a escravidão. Seus homens livres são mortos um por um de baixo de seu nariz por um grupo chamado "Filhos da Hárpia", facção secreta a favor do tráfico de escravos. Enquanto isso, nobres de Meereen, como Hizdahr zo Loraq, pedem pela abertura das arenas, esporte sangrento que Daenarys desaprova. Seus dragões cresceram e dois deles são mantidos em cativeiro, enquanto Drogon conseguiu escapar e sua localização é um mistério. A única coisa que traz a paz para o coração da Targaryen é o exótico guerreiro Daario Naharis, que com sua coragem e personalidade beligerante faz a jovem palpitar...

Enquanto isso, no norte de Westeros, Jon Snow recebe a tropa de Stannis, além de toda a família real, no Castelo Negro da Muralha. A intervenção na batalha contra os selvagens foi fundamental para a vitória mas logo percebe como será difícil lidar com esse novo grupo. Stannis e seus próprios companheiros corvos questionam suas ordens e suas idéias, pois pretende uma trégua com os homens livres.

Bran atravessou a Muralha e continua seguindo para o norte, acompanhado pelos irmãos Reed, Hodor e uma criatura sinistra montada em um alce. Sua saga em busca do "corvo de três olhos" vai se tornando cada vez mais tensa e a fome e o frio só vão piorando...


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A obra continua fabulosa e cada vez mais épica. Recomendo fortemente ter um mapa detalhado em mãos, como o aplicativo "Westeros Map" pra quem tem iPad ou iPhone, pois a chance de ficar perdido é grande! O livro mantém os mesmos defeitos dos anteriores, com alguns trechos e capítulos que não fazem a história evoluir, além da quantidade exorbitante de personagem em cada arco narrativo.

Victarion Greyjoy
Ler sobre Daenerys novamente foi incrível. Os salões e corredores das grandes pirâmides, as ruas de Meereen, os costumes de seus habitantes... Detalhes tão ricos que é possível imaginar que um lugar desses pudesse ter existido. Legal também é perceber que tantos personagens acabaram tomando aquela direção, como Tyrion, Quentyn Martell, Victarion Greyjoy e Euron Olho de Corvo. Já as histórias de Arya - uma das minha personagens favoritas - não me empolgaram tanto, apesar da curiosa trajetória e evolução gradativa da personagem. 

Por outro lado, a história de Quentyn Martell é bem interessante. No final do quarto livro descobrimos que o príncipe Doran de Dorne, considerado apático pelas suas sobrinhas e filha, tinha encaminhado seu filho para providenciar uma união matrimonial com Daenerys. Na verdade o compromisso de Dorne com a família Targaryen era casar sua filha Arianne com Viserys mas este morreu pelas mãos de Khal Drogo. 

Outro personagem que vale a pena mencionar é o filho bastardo de Roose Bolton... Ramsay Snow. Ele fica em destaque nesse quinto livro e toma o lugar do falecido Joffrey em antipatia. Porém não fica só nisso. Sua personalidade sádica transcende a antipatia, levando o leitor à angústia, medo e asco, só de ver seu nome citado.

"Os Ventos do Inverno" ainda não tem previsão de lançamento mas as expectativas são altas!



sábado, 16 de março de 2013

SAGA - Volume 01


Escrito por Brian K. Vaughan (Y: O Último Homem, Runaways, Ex Machina) e desenhado por Fiona Staples (Northlanders), "Saga" foi lançado nos EUA em março de 2012 pela Image Comics. A história se passa em uma galáxia muito,muito distante... Star Wars é uma clara influência, não só pelo caráter épico revelado pelos diversos planetas, luas e raças alienígenas, mas também pela trama cheia de personagens marcantes e carismáticos. 

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Alana é de Landfall, um planeta gigantesco onde todos possuem asas. Convocada para participar da Coalizão de Landfall, lutou contra o povo de Wreath, a lua de seu planeta. Devido a sua questionável conduta em campo de batalha foi transferida para ser guarda da prisão do planeta Cleave, onde ficavam detidos os insurgentes da guerra.

PLANETA LANDFALL
WREATH - LUA DE LANDFALL
Marko é da lua Wreath, onde os seres possuem chifres e têm aptidão para magia. Acabou sendo capturado pelo seus eternos inimigos de Landfall e logo foi encaminhado paraa prisão no planeta Cleave. Lá conheceu Alana... E uma união improvável foi então consumada.
Na verdade a história começa com o nascimento de Hazel, fruto do amor desses dois. A recém formada família decide fugir daquele cenário de politicagem e guerra, em busca de um lugar em paz para se viver. Com um roteiro inteligente e diálogos fantásticos, a obra mostra que, independente da galáxia em que você estiver, as questões sobre família e relacionamento são literalmente universais. As personalidades de Marko e Alana são bem marcantes e diferentes, até antagônicas algumas vezes, mas claramente se complementam. Um casal apaixonante.

Personagens secundários incríveis fazem parte desse elenco intergaláctico. Príncipe Robot IV, membro da família do Reino "Robótico", é um ser humanoide que possui na cabeça uma tela de TV. Às vezes alívio cômico, outras um ser digno de pena, sua missão designada pela alta cúpula de Landfall é de capturar essa família fugitiva. Enquanto isso, mercenários são contratados com a mesma finalidade pela milícia de Wreath. Dentre eles está "The Will", um humano que tem como side-kick um gato que identifica pessoas mentirosas. Um personagem incrível, cheio de bagagem e questões, evidenciando um caráter ímpar por trás de uma profissão tão ignóbil.

É impressionante como o roteiro me captou, tanto pelos diálogos afiados e pequenas discussões do casal até pela arte, que é magistralmente desenhada por Fiona Staples. Seu traço oscila do limpo e certeiro ao mais solto e descompromissado, porém não menos belo. A mistura da ficção científica com um pouco de magia chegou a me incomodar no início, levando-me a uma sensação de conto-de-fadas... Mas quanto mais você mergulha nessa saga fantástica, mais você se deslumbra por essa história onde a criatividade não tem fim. Assim como o universo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

A VIAGEM


Dirigido pelos irmãos Wachowski (Matrix, V de Vingança) e Tom Tykwer (Corra, Lola, Corra, Perfume: A História de um Assassino), A Viagem (Cloud Atlas) conta seis histórias simultâneas que ocorrem em épocas distintas. Nelas é possível evidenciar semelhanças no enredo, além de personagens ali inseridos conectados de certo modo, mesmo estando em  tempos diferentes.

O filme tem um início que demora para engrenar, jogando peças de um quebra-cabeça confuso, numa colcha de retalhos sem fim. Mesmo após sedimentar cada trama separadamente, o filme não deixa claro seu objetivo: cada história segue independente, apenas mantendo algumas fisionomias recorrentes. Seriam eles antepassados uns dos outros? 

Posteriormente, a mensagem fica clara: todas são histórias sobre a luta pela liberdade. A montagem excepcional traz liga à obra, que é recheada de raccords criativos. Mesmo assim o filme peca por ser muito longo e pela maquiagem muitas vezes artificial. Ter um elenco cheio de estrelas - e reaproveita-lo nas mais diversas tramas - não foi o suficiente para tornar o filme menos cansativo.

Em conjunto, as histórias se complementam, evoluindo para uma mensagem cheia de significado. A união é essencial, principalmente quando se quer lutar por algo tão precioso quanto nossa liberdade. Como diria Raul Seixas: "Sonho que se sonha só é só sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade."

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

AMOUR

Um apartamento vazio. Uma porta lacrada. Um cheiro forte e mórbido no ar. O mistério não demora muito: um bombeiro arromba a porta e se depara com uma idosa na cama, morta, com delicadas flores ornamentando seu leito. Assim começa "Amour" (2012), a obra mais recente do diretor Michael Haneke (Violência Gratuita, Caché), mostrando sem pudor todas as sutilezas desse sentimento.

O filme trata da comovente história de um casal de idosos, Anne (Emmanuelle Riva) e Georges (Jean-Louis Trintignant), que passa por grandes dificuldades quando Anne desenvolve um acidente vascular cerebral. Evoluindo com paralisia de seu lado direito, seu  esposo torna-se seu porto seguro e juntos trilham o que poderia ser considerado o último "capítulo" de suas vidas.

Como na vida real, o filme não possui trilha sonora: o silêncio impera no começo e no final da película. Contudo, durante o desenvolvimento, somos brindados a todo momento com música, já que, apesar de não explícito, a protagonista era professora de piano. No início e com a consciência plena - mas com a limitação dos movimentos - Anne se apega às lembranças e às melodias, muitas vezes ensaiando movimentos descoordenados nos dedos enquanto está deitada ouvindo a música pelos corredores do apartamento. Quando sua situação agrava e ela perde a coordenação da fala, é a cantiga de seu esposo que torna seu fardo um pouco mais suportável... Muitas vezes, restam-lhe a penosa "dança" rotineira, que inclui a fisioterapia, muitas vezes auxiliado pelo seu parceiro Georges.

O cineastra consegue, através de um pesadelo, mostrar como foi impactante para Georges o primeiro episódio, em que Anne fica catatônica na cozinha, prelúdio de sua futura condição. Ele deixa a torneira aberta enquanto vai se aprontar em busca de ajuda, mas antes ela acorda de seu "transe", fechando a pia. Posteriormente, no pesadelo, ele escuta a campainha e segue até o corredor de seu prédio procurando quem tocou. Lá encontra o piso repleto de água e é surpreendido com uma mão direita - que curiosamente corresponde ao lado paralisado de sua esposa - que o sufoca. A água corrente da torneira volta a aparecer no final do filme, dessa vez marcando a conclusão da saga desse casal.

Michael Haneke, com sua direção muito peculiar, quase poética, leva seu filme com seus típicos plano longos, diversos deles estáticos, causando esporadicamente um desconforto proposital ao telespectador. Ele nos faz morador daquele apartamento, chegando ao ponto de conhecermos todos os cômodos, até mesmos todos os quadros da residência! O elenco foi outro acerto: Jean-Louis Trintignant está fantástico, mas Emmanuelle Riva rouba a cena, numa atuação impressionante da enferma em gradativa deterioração.

Apesar de ser uma história triste, ela edifica o conceito do amor, mostrando como o compromisso e o respeito são elementos fundamentais num relacionamento. E isso independente da idade.

sábado, 12 de janeiro de 2013

ARGO

"O filme era uma farsa. A missão era real."
Lançado em 2012 e dirigido por Ben Affleck, Argo é uma história baseada em fatos reais. Conhecemos muito bem a história do nosso mundo ocidental, porém, quando tratamos do passado de nossos vizinhos orientais, ficamos perdidos.

No final da Segunda Guerra Mundial, o povo do Irã elegeu com grande entusiasmo Mohammad Mossadeq como seu primeiro-ministro. Em contrapartida, o "xá" do país continuava sendo Mohammad Reza Pahlavi, favorável aos ícones imperialistas da época (Reino Unido, URSS e EUA).

A postura nacionalista de Mossadeq levou à extinção da Anglo-American Oil Company (Companhia de Óleo Anglo-Americana), devolvendo o petróleo aos iranianos. Obviamente, não agradou nem um pouco os EUA, que providenciaram um golpe de estado, derrubando-o do poder. Reza Pahlavi foi se tornando gradativamente um ditador, esbanjando riqueza, enquanto o povo sofria.

Aiatolá Khomeini
Em 1979 ocorreu a REVOLUÇÃO ISLÂMICA: o xá Pahlavi foi derrubado e foi proclamado a "República do Irã", com Aiatolá Khomeini como líder supremo religioso e Bani-Sadr como presidente. O xá Reza Pahlavi foi exilado nos EUA enquanto se tratava de um câncer, o que levou milhares de iranianos às ruas, protestando pelo seu retorno e julgamento. Tudo isso desencadeou a famosa invasão da embaixada americana em Teerã.

Persépolis
Interessante que a introdução do filme é narrada mostrando, através de ilustrações que remetem a um story-board, esse conturbado contexto histórico. Sacada genial, já que um story-board sempre é apresentado antes do início de qualquer filmagem. Numa feliz coincidência, enquanto via esse filme, minha esposa lia uma fabulosa história em quadrinhos chamada "Persépolis", de Marjane Satrapi. A autora é iraniana e seu trabalho retrata os fatos desse período, pelos olhos inocentes de uma criança. Essa HQ, por si só, merece uma resenha!

Ben Affleck mais uma vez se mostra à vontade como diretor. O problema é que insiste em atuar nos seus próprios filmes. Como protagonista, ele faz o papel de um agente da CIA chamado Tony Mendez, encarregado de trazer de volta para os EUA os seis funcionários da embaixada americana que escaparam durante a invasão supracitada, enquanto outros 55 ficaram como reféns. A vida pessoal do agente é mostrada de maneira bem superficial: casado, mas vive sozinho, longe da esposa e do filho - fato que não é explicado no filme. E é numa conversa telefônica com seu filho, enquanto assistiam "A Batalha no Planeta dos Macacos" na TV, que surge a grande e insana epifania de como ele executará a tal missão.

A atuação "zen" de Ben Affleck não chega a prejudicar o filme, já que o papel exigia um indivíduo centrado, determinado em concluir um trabalho que não dependia só dele, mas de outros seis acuados em território inimigo. Em contrapartida, os seis atores que fazem parte da equipe da embaixada se destacam não só pela exímia atuação que transparece um estresse sem medida, mas pelo figurino e maquiagem impecável. A direção de arte chama atenção: durante toda a película ficamos imersos na angustiante atmosfera iraniana da época.

Enquanto isso, as cenas em Los Angeles são mais leves e quase cômicas. Duas figuras de Hollywood, Lester Siegel (Alan Arkin), produtor, e John Chambers (John Goodman), especialista em maquiagem - inclusive responsável pela série de filmes "O Planeta dos Macacos" - são a dupla dinâmica que faz o plano de Tony Mendez engrenar.

A missão secreta de Tony Mendez é tão absurda que soa inverossímil, contudo os créditos finais traz ao espectador a lembrança de que tudo é mesmo uma obra baseada em fatos reais. E finalmente terminamos com aquele nó na garganta. Como a humanidade pode progredir com tanta ganância dos mais poderosos e tanta intolerância dos mais radicais? Concluo relembrando o comandante Taylor (Charlton Heston), citando mais uma vez "O Planeta dos Macacos", quando ele descobre que destruímos o nosso futuro...


"We finally really did it. You Maniacs! You blew it up! Ah, damn you! God damn you all to hell!"