domingo, 1 de setembro de 2013

O Espadachim de Carvão - RESENHA


Affonso Solano é ilustrador e apresentador de um podcast de humor chamado "Matando Robôs Gigantes". Em março desse ano, foi publicado pela editora Fantasy seu livro "O Espadachim de Carvão", que se passa em um mundo fantástico chamado Kurgala. Adapak, um jovem de pele escura e olhos brancos, morou com seu pai, um dos quatro deuses de Kurgala, até os 19 anos em sua ilha sagrada. Isolado do resto mundo, tinha a sua disposição livros e mais livros, e foi treinado a ser um exímio espadachim. Contudo um incidente terrível o obrigou a fugir de sua morada e a encarar o maravilhoso e traiçoeiro mundo exterior.

Affonso possui uma narrativa simples, pouco rebuscada, com um estilo bem ágil e característico de livros infanto-juvenis. Essa característica poda agradar uns, embora leitores mais "calejados" podem considerar o texto pouco elaborado. A ação é descrita com detalhes, com uma precisão quase cinematográfica. O enredo foi bem trabalhado e planejado, transitando entre o presente e o passado do personagem, numa dinâmica muito interessante de alternância de capítulos. Em momentos pontuais, certas circunstâncias que envolvem o ingênuo protagonista levam a um ensinamento, uma provável intenção do autor de passar uma opinião através dos diálogos... Trechos esses me incomodaram pois não pareciam naturais, soaram como trechos de "auto-ajuda"... Mas, felizmente, ficam escassos ao longo da trama.

Vale exaltar a fértil criatividade de Affonso Sollano, ao inventar um mundo totalmente novo, com criaturas inteligentes das mais diferentes raças, cada uma com suas características próprias. É comum encontrarmos nos livros de fantasia criaturas já conhecidas, como elfos, orcs, dragões... Ou, quando se trata de ficção científica, os seres descritos como "diferentes" sempre são alienígenas. Kurgala apresenta seres vivos inéditos, muito peculiares, alguns até difíceis de imaginar. Detalhes da geografia e da flora são pouco abordadas (afinal o objetivo do autor era deter-se na narrativa, não no ambiente), entretanto conseguimos nos ambientar facilmente nesse mundo mágico. (Clique aqui para ver o mapa de Kurgala)

No geral, é uma história muito divertida, com muita ação e aventura. A trama, que inicialmente se mostrou bem simples, possui umas reviravoltas muito interessantes a partir da metade do livro, que surpreendem até o final. A primeira parte da saga de Adapak se fecha, respostas são obtidas, e, no epílogo do livro, se abre um leque de possibilidades para o espadachim trilhar. Seu próximo livro está previsto para 2014!

terça-feira, 30 de julho de 2013

The Wake


Com roteiro de Scott Snyder e desenhos de Sean Murphy, "The Wake" foi lançado em maio deste ano e desde então vem recebendo elogios. Acho muito prematuro todo o burburinho, já que a segunda edição acabou de sair e a trama ainda está em desenvolvimento. Contudo é de se esperar tantos olhares, pois é o novo trabalho autoral de Snyder, o novo queridinho do universo dos quadrinhos.

"Vampiro Americano", da editora Vertigo, teve uma repercussão enorme na mídia pois estampava na capa o nome de Stephen King, ao lado do próprio Snyder e do artista brasileiro Rafael Albuquerque. Só que Stephen King teve apenas uma restrita participação nas primeiras edições e, após sua saída, a obra manteve uma qualidade impecável... Logo o trabalho de Scott Snyder foi reconhecido. Um contrato exclusivo com a DC Comics o tornou responsável pelas histórias mensais do Batman nessa recente era dos "Novos 52".

"The Wake" conta a história da doutora Lee Archer, uma bióloga especialista em vida submarina, mais precisamente nos sons emitidos por cetáceos (como baleias e golfinhos). Surpreendida por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), ela é apresentada a uma gravação muito estranha, um som com características cetáceas, mas com um padrão extremamente complexo. Embora Lee não simpatize com o departamento - aparentemente possui alguma ação contra a DHS - ela acaba aceitando trabalhar com eles, mas somente por terem oferecido ajuda-la na custódia de seu filho.


Mesmo com essa introdução, acredite, a história não é simples. A narrativa apresenta saltos temporais enormes, mostrando cenas há duzentos anos no futuro e até mesmo há 100.000 anos no passado. Envolve temas como evolução, tecnologia... Tudo com muito mistério e uma pitada de terror. A trama tem um bom argumento e atiça o leitor: ainda é só o começo e já existem inúmeras questões.

A arte de Sean Murphy em associação com a coloração de Matt Hollingworth torna a ambientação única, tanto a céu aberto como nos ambientes fechados. Nesse caso, as cores mudam, mas sempre mantendo tons leves e pouco saturados. Os cenários e os meios de transportes são bem trabalhados, ricos em detalhes. O traço de Murphy é bem agradável e transpassa com eficiência a postura e personalidade dos personagens, principalmente da protagonista, bem independente e determinada.

Scott Snyder já mostrou que é talentoso. Apesar disso, excesso de mistério no desenvolvimento de uma história, se mal trabalhado, pode prejudicar a conclusão. Nunca fui fã de aventuras debaixo d´água, mas estou acreditando nessa. Mergulhando nas profundezas de "The Wake".

terça-feira, 23 de julho de 2013

DEATH OF THE FAMILY (BATMAN)

A recente saga da revista mensal do Batman, "Death of the Family" (outubro de 2012 até fevereiro de 2013), foi incrível. Vale ressaltar que nada tem a ver com a clássica saga da década de 1980, "A Death in the Family" (Uma Morte em Família), em que Jason Todd, o Robin da época, é assassinado violentamente pelo Coringa com um pé-de-cabra. "Death of the Family" - a tradução ficaria como "Morte da Família" - conta o retorno do Coringa, mais insano do que nunca, nesse recente universo dos "Novos 52".


Outra vez, o Coringa conseguiu escapar do Asilo Arkham... Porém, antes de partir, resolve deixar sua marca, pedindo para o "Criador de Bonecas" retirar cirurgicamente sua face, pregando-a na parede de sua cela. Desde esse mórbido incidente, o vilão fica desaparecido por quase um ano... Voltando sorrateiramente com um plano para recuperar seu rosto e desestruturar a família do homem morcego

Batman, Robin (Damian Wayne), Asa Noturna (Dick Grayson), Robin Vermelho (Tim Drake), Capuz Vermelho (Jason Todd), Bat-woman (Barbara Gordon)... Todos serão afetados pelo esquema elaborado do palhaço. O próprio mordomo de Bruce Wayne, Alfred Pennyworth, não é poupado, levando a todos à uma grande questão: o Coringa sabe da ligação do mordomo com o próprio Batman? O Coringa SABE a identidade do BATMAN?


Acompanhei a saga pelas revistas "Batman" e "Batman and Robin". Para mim foram suficientes para apreciar com empolgação e também apreensão todo o drama do grupo. Toda vez que o Coringa aparecia, mais tensa a trama ficava. Lembrou-me muito o Coringa mentecapto e violento de Alan Moore. Os roteiristas foram bem sucedidos em manter o clima de terror, além de explorar o humor negro no discurso do vilão. Ao recuperar seu rosto, ele resolve vesti-lo como uma máscara... Em certos quadros é possível perceber os detalhes, a carne em decomposição, as moscas sobrevoando... Na edição número 15 de "Batman and Robin", ele está com seu semblante de CABEÇA PRA BAIXO, mostrando seus olhos através da abertura de sua boca e seu sorriso pelas fendas de seus olhos. Aterrorizante.

"Death in the Family" merece destaque pelo bom trabalho que a equipe da DC Comics tem realizado com o personagem. Fiquei com receio de ler as revistas mensais da editora após "reboot" dos "Novos 52", mas, depois desse arco, tomei coragem e agora acompanho a trajetória do homem-morcego.

domingo, 5 de maio de 2013

Snapshot (Volumes 01 - 04)


Andy Diggle e Jock, a dupla responsável pala aclamada série "Os Perdedores" do selo Vertigo, se juntam novamente para um novo trabalho chamado "Snapshot", dessa vez publicado pelo selo Image. Disponível para compra via Comixology, foi publicado em quatro volumes, lançado em fevereiro deste ano nos EUA.

Jake Dobson é um típico nerd que trabalha numa loja de quadrinhos. Porém sua vida pacata vira de cabeça para baixo quando descobre um celular a caminho do trabalho. Sua alegria de ter encontrado aquele brinquedinho novo logo se torna um pesadelo quando descobre nele fotos de um violento assassinato. Agora o próximo alvo é ele e é só uma questão de tempo até o assassino o encontrar. 

A trama vai se mostrando mais e mais complexa e eletrizante ao longo de cada quadro. Uma misteriosa conspiração vai se desenhando e Jake se vê envolvido até o pescoço. Porém esse mistério é o ponto alto da história, tanto que quando tudo começa a ficar mais claro, a obra vai perdendo a graça... A arte de Jock, no preto e branco, oscilou entre o genial ao tosco. Seu estilo tende ao desleixo em vários momentos, com um acabamento corrido. Muitos quadros parecem esboços sem arte-finalização. Apesar disso ele faz um efeito interessante com as sombras, abusando do preto nas passagens mais angustiantes, muitas vezes encobrindo todo o rosto do personagem, como se seu espírito estivesse imerso em escuridão. Na última edição ele também faz um efeito interessante com a chuva, associando traços com respingos de nanquim.

Embora a arte seja uma questão polêmica, a quadrinização foi bem cinematográfica, com cenas dramáticas e perseguições alucinantes. Vale ressaltar o primeiro encontro entre Jake e o assassino, na loja de quadrinhos, momento esse de extrema tensão.

Com um roteiro bem amarrado, um pouco corrido e com um final que deve dividir opiniões, considero Snapshot um excelente thriller, mas que poderia ter sido melhor desenvolvido se a obra tivesse mais edições. Mesmo assim vale pelo tema e pela criatividade do enredo, já que hoje em dia é tão difícil ver algo original no mercado de quadrinhos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

The Umbrella Academy - Apocalypse Suite



The Umbrella Academy - Apocalypse Suite é uma história criada por Gerard Way, escritor e também cantor da banda My Chemical Romance, e desenhada pelo brasileiro Gabriel Ba (Daytripper, Casanova). Lançada pelo selo da Dark Horse em 2007, a obra acabou ganhando o prêmio Eisner em 2008 de Melhor Série Fechada.

O cientista e empresário Sir Reginald Hargreeves, conhecido como "O Monóculos", adotou sete crianças com poderes especiais com uma finalidade muito clara: salvar o mundo. Quando isso foi declarado para a mídia mundial, todos olharam com muita inquietação já que ninguém sabia que o planeta precisava ser salvo. Contudo, tempos depois, estranhos eventos puseram em questão a segurança das nações, levando esse grupo de jovens a agir contra os mais variados e escalafobéticos perigos.


Só que o tempo passa e aquelas crianças especiais se tornam adultos. E como qualquer família disfuncional especial, questões pra lá de complicadas acabam surgindo: desavenças, amores não correspondidos e inseguranças. Quem vê Gerard Way todo maquiado e com seu cabelinho lambido nas apresentações de My Chemical Romance pode até ponderar se vale a pena ler essa obra. Até mesmo ao escutar o rock emo / gothic / pop punk do escritor pode achar que seu trabalho não vale ser conferido já que sua música não corresponde ao seu gosto musical. Por favor, não se enganem!


Não é a toa que The Umbrella Academy ganhou um Eisner Award (o Oscar dos quadrinhos). Com um roteiro impressionante sobre uma temática já batida (super-heróis), Gerard trabalha a psique de cada personagem com esmero, levando o leitor a perceber as nuances dessas relações com diálogos carregados de drama e imagens que valem por mil palavras. Falando nisso, mais uma vez Gabriel Bá dá um show de arte, com seu traço bem marcado e dinâmico, levemente cartunesco, mesmo assim com o peso necessário para a trama. O responsável pelas cores, Dave Stewart, também realizou um trabalho magnífico, mudando a paleta de cores dependendo do ambiente, da época e do contexto.

Se você quer ação com drama de qualidade, deixe-se ser surpreendido por essa obra. Deixe The Umbrella Academy ser seu novo grupo de super-heróis.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO - A DANÇA DOS DRAGÕES

George R.R. Martin lançou seu quinto livro com um aviso. Tanto o quarto livro "O Festim dos Corvos" como esse começam após os eventos do terceiro volume, "A Tomenta de Espadas". Só que em "A Dança dos Dragões", o autor enfoca mais nos acontecimentos situados nas imediações da Muralha e em grande parte no oriente, do outro lado do mar estreito. Depois da metade do livro, os outros personagens aparecem, continuando a narrativa em todos os cantos do mapa.

Capitão Griff
Após a morte de seu pai Tywin e de seu sobrinho Joffrey, além de sua condenação em Porto Real, Tyrion foge com a ajuda de Varys. Encaminhado para um navio em direção à Pentos, chega na mansão de Illyrio Mopatis, aquele comerciante do primeiro livro, que ajudou Viserys a negociar sua irmã para Khal Drogo. Lá ele conta para Tyrion sobre Daenerys e seus dragões e que ela tem anseios de retornar à Westeros e ao trono que um dia foi de sua família. Ele parte então numa jornada para a Baía dos Escravos e logo nosso sagaz anão percebe que o capitão do navio Griff e seu filho, o jovem Griff, escondem um segredo bombástico.

Daenarys tem muitas dificuldades em governar Meereen já que todas as cidades vizinhas como Astapor e Yunkai desaprovam sua conduta contra a escravidão. Seus homens livres são mortos um por um de baixo de seu nariz por um grupo chamado "Filhos da Hárpia", facção secreta a favor do tráfico de escravos. Enquanto isso, nobres de Meereen, como Hizdahr zo Loraq, pedem pela abertura das arenas, esporte sangrento que Daenarys desaprova. Seus dragões cresceram e dois deles são mantidos em cativeiro, enquanto Drogon conseguiu escapar e sua localização é um mistério. A única coisa que traz a paz para o coração da Targaryen é o exótico guerreiro Daario Naharis, que com sua coragem e personalidade beligerante faz a jovem palpitar...

Enquanto isso, no norte de Westeros, Jon Snow recebe a tropa de Stannis, além de toda a família real, no Castelo Negro da Muralha. A intervenção na batalha contra os selvagens foi fundamental para a vitória mas logo percebe como será difícil lidar com esse novo grupo. Stannis e seus próprios companheiros corvos questionam suas ordens e suas idéias, pois pretende uma trégua com os homens livres.

Bran atravessou a Muralha e continua seguindo para o norte, acompanhado pelos irmãos Reed, Hodor e uma criatura sinistra montada em um alce. Sua saga em busca do "corvo de três olhos" vai se tornando cada vez mais tensa e a fome e o frio só vão piorando...


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A obra continua fabulosa e cada vez mais épica. Recomendo fortemente ter um mapa detalhado em mãos, como o aplicativo "Westeros Map" pra quem tem iPad ou iPhone, pois a chance de ficar perdido é grande! O livro mantém os mesmos defeitos dos anteriores, com alguns trechos e capítulos que não fazem a história evoluir, além da quantidade exorbitante de personagem em cada arco narrativo.

Victarion Greyjoy
Ler sobre Daenerys novamente foi incrível. Os salões e corredores das grandes pirâmides, as ruas de Meereen, os costumes de seus habitantes... Detalhes tão ricos que é possível imaginar que um lugar desses pudesse ter existido. Legal também é perceber que tantos personagens acabaram tomando aquela direção, como Tyrion, Quentyn Martell, Victarion Greyjoy e Euron Olho de Corvo. Já as histórias de Arya - uma das minha personagens favoritas - não me empolgaram tanto, apesar da curiosa trajetória e evolução gradativa da personagem. 

Por outro lado, a história de Quentyn Martell é bem interessante. No final do quarto livro descobrimos que o príncipe Doran de Dorne, considerado apático pelas suas sobrinhas e filha, tinha encaminhado seu filho para providenciar uma união matrimonial com Daenerys. Na verdade o compromisso de Dorne com a família Targaryen era casar sua filha Arianne com Viserys mas este morreu pelas mãos de Khal Drogo. 

Outro personagem que vale a pena mencionar é o filho bastardo de Roose Bolton... Ramsay Snow. Ele fica em destaque nesse quinto livro e toma o lugar do falecido Joffrey em antipatia. Porém não fica só nisso. Sua personalidade sádica transcende a antipatia, levando o leitor à angústia, medo e asco, só de ver seu nome citado.

"Os Ventos do Inverno" ainda não tem previsão de lançamento mas as expectativas são altas!



sábado, 16 de março de 2013

SAGA - Volume 01


Escrito por Brian K. Vaughan (Y: O Último Homem, Runaways, Ex Machina) e desenhado por Fiona Staples (Northlanders), "Saga" foi lançado nos EUA em março de 2012 pela Image Comics. A história se passa em uma galáxia muito,muito distante... Star Wars é uma clara influência, não só pelo caráter épico revelado pelos diversos planetas, luas e raças alienígenas, mas também pela trama cheia de personagens marcantes e carismáticos. 

* * *

Alana é de Landfall, um planeta gigantesco onde todos possuem asas. Convocada para participar da Coalizão de Landfall, lutou contra o povo de Wreath, a lua de seu planeta. Devido a sua questionável conduta em campo de batalha foi transferida para ser guarda da prisão do planeta Cleave, onde ficavam detidos os insurgentes da guerra.

PLANETA LANDFALL
WREATH - LUA DE LANDFALL
Marko é da lua Wreath, onde os seres possuem chifres e têm aptidão para magia. Acabou sendo capturado pelo seus eternos inimigos de Landfall e logo foi encaminhado paraa prisão no planeta Cleave. Lá conheceu Alana... E uma união improvável foi então consumada.
Na verdade a história começa com o nascimento de Hazel, fruto do amor desses dois. A recém formada família decide fugir daquele cenário de politicagem e guerra, em busca de um lugar em paz para se viver. Com um roteiro inteligente e diálogos fantásticos, a obra mostra que, independente da galáxia em que você estiver, as questões sobre família e relacionamento são literalmente universais. As personalidades de Marko e Alana são bem marcantes e diferentes, até antagônicas algumas vezes, mas claramente se complementam. Um casal apaixonante.

Personagens secundários incríveis fazem parte desse elenco intergaláctico. Príncipe Robot IV, membro da família do Reino "Robótico", é um ser humanoide que possui na cabeça uma tela de TV. Às vezes alívio cômico, outras um ser digno de pena, sua missão designada pela alta cúpula de Landfall é de capturar essa família fugitiva. Enquanto isso, mercenários são contratados com a mesma finalidade pela milícia de Wreath. Dentre eles está "The Will", um humano que tem como side-kick um gato que identifica pessoas mentirosas. Um personagem incrível, cheio de bagagem e questões, evidenciando um caráter ímpar por trás de uma profissão tão ignóbil.

É impressionante como o roteiro me captou, tanto pelos diálogos afiados e pequenas discussões do casal até pela arte, que é magistralmente desenhada por Fiona Staples. Seu traço oscila do limpo e certeiro ao mais solto e descompromissado, porém não menos belo. A mistura da ficção científica com um pouco de magia chegou a me incomodar no início, levando-me a uma sensação de conto-de-fadas... Mas quanto mais você mergulha nessa saga fantástica, mais você se deslumbra por essa história onde a criatividade não tem fim. Assim como o universo.